A PENA

 

           A magia de uma pena solta, flutuando, excede em beleza. No
balanço de sua dança, uma pena desenha no ar, ao sabor do vento
os  traços indecifráveis  da  liberdade, do seu imprevisível destino e
da atração discreta de seu silencioso movimento.                               
             Talvez, por todos esses encantos, os antigos sábios tenham
buscado numa  pena  a  inalienável companheira para registros  de
confidências, de arbítrios, de julgamentos, de  leis e  de todo o pen-
samento da humanidade.                                                                          
             Com a mesma sublime missão que preserva a sua liberdade
e a sua magia, a  pena  desprendida das asas dos pássaros, serviu
à mão do homem para dizer, sobre  os  pergaminhos, aquilo  que só
os sábios podiam revelar - o conhecimento.                                         

Ubirajara Carvalho da Cruz
(60-93)

 

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